O fim de toda sanidade

I – PERPLEXIDADE
Este redemoinho é o funil,
Nesse pesadelo politico,
Desse território mítico
Do mórbido e trôpego Brasil.
Jamais se vira filme tão vil
Nem povo, assim, paralítico,
Diante do frenesi, do cio
Dos malucos, o mais crítico.
Molusco é nomeado Napoleão,
O advogado julga seu cliente,
O leão é leoa, a cobra é bichano.
Na inversão que o corpo sente
Da visão, tão clarividente,
Cede a sanidade ao mais insano.

II – MUTAÇÃO
É tão pungente essa dor
De ver cair tal edifício
Da vã memória nesse hospício!
Dá-me passagem, por favor!
Dá-me passagem ao resquício
Da sanidade, já incolor.
Da mutação do meu furor
Surge da mente um tal vício.
Também da mente, um artifício
Sai, desabalado, como amor
Louco ao roubo e ao comício.
Minha carne sofre do cilício
Cruel e humano, de humano vício,
De pedir: “Me engane, por favor”.

III – SUB TILE
Sob a telha chove bem mais
Que aos ventos e temporais,
Que à loucura da sua afronta
Ao horizonte, que nos apronta.
Tenhamo-nos à certa conta
De cordeiros limpos, pascais.
Saibamo-nos contra os animais
No campo em que o Mal desponta.
Presa fácil, sempre pronta!
Faunos, acéfalos, à ponta
Para as belas ninfas ideais.
O humano teatro faz de conta
Que o normal é normal demais.
E o bisonho? Bem, tanto faz.

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