Serpente Autófaga

Em latim, eu a chamaria Serpens Autófaga. Em termos ocidentais, simplesmente, a “Serpente que come o próprio rabo” ou Self-eating Snake. No Ocultismo, é conhecida como Ouroboros. O que mais poderíamos falar a respeito deste símbolo de poder?

Segundo um conceito amplamente aceito, constante na Wikipedia, o Ouroboros representa o mecanismo de Criação que se retroalimenta ad infinitum. Por esta afirmação, poderíamos entender tanto o nascimento, morte e renascimento, os vícios (ânsia, satisfação, ânsia).

Particularmente, penso que esta figura pode aludir ao sistema de realidade onde a evolução é dada de tal modo que seu início é um fim em si mesmo, ou que não tenha solução de continuidade. Por exemplo: um sistema econômico em que a prosperidade se dá pelo eterno endividamento, ou um sistema religioso em que o Paraíso pode ser alcançado pela submissão, ao ponto da neurose, às dores da matéria. O Caminho para a Felicidade, então, passa pela negação das alegrias, corre-se para longe das águas para matar a sede.

A Serpente que come a si mesma, então, seria o princípio e fim de si mesma, representa um potentado tão tirânico que não suporta nem a si mesmo. Se torna tão grande que, em sua ânsia pelo Poder, seja através do Conhecimento estéril ou pelo Medo Paranoide, passa a fugir de si mesma, implodindo em uma carreira louca por autodestruição e fuga.

Um sistema que destrói aquele que ele busca salvar, e salvar aquele a quem ele vive tentando destruir. Um paradoxo circular. Assim ela, a Serpente, se sustenta, já que não gera absolutamente nada além de um vácuo infinito, um caos por onde passa.

5 respostas para “Serpente Autófaga”

    1. Digamos que uma incompletude, uma insaciedade. 😉 No mundo físico, eu compararia à Antimatéria, que é a que causa a degradação/decomposição da matéria através das doenças.
      Um abraço fraterno!

Deixe uma resposta: