Eu e a Maçonaria

Como ser humano em evolução constante, embora eu caminhe devagar, nunca me fiz de rogado para rever, periodicamente, meus posicionamentos com relação a tudo quanto eu penso e sinto. Não seria diferente quando o assunto é Maçonaria. Sim, esta postagem será destinada a corrigir o que declarei, até hoje, com relação à Fraternidade Maçônica.

Preâmbulo

Sobre a Maçonaria, já escrevi muitas postagens ao longo desta jornada de dez anos como Autor de opiniões. Sempre foram, e serão, opiniões sinceras, embora temerárias. Inexatas, especulativas e genéricas, baseadas em ilações e referências extraídas da internet e costuradas a trechos de livros. Estavam erradas? Acredito que eu seria mais preciso se dissesse que minhas opiniões eram parcialmente fundamentadas, mas involuntariamente imperfeitas.

Ao longo de minha caminhada, estive em templos de muitas religiões e estudei, ainda que superficialmente, muitas das doutrinas adotadas por aquelas religiões. Ainda que sem a profundidade dos graduados, acadêmicos e sabichões, vivenciei, intensamente, o que ensinavam. Retive o que era útil de tudo quanto vi e ouvi, como ensinava Paulo de Tarso.

Entre aquelas organizações temidas, por uns, e abominada, por outros, estava a Maçonaria. Sinceramente, não sei se todas as organizações maçônicas são boas ou ruins aos seres humanos. Porém, a generalização é burra nesta e em outras questões. Meu interesse pelo misticismo medieval e pelo estudo antigo das Ciências Arcanas me levou a tomar contato com o Rosacrucianismo e com o Martinismo, mas ainda relutando a examinar, de perto, a Maçonaria, me contentando a replicar algumas maluquices propaladas na internet.

Creio, no entanto, após refletir e estudar, ser necessário publicar uma retratação sobre boa parte do que eu disse relacionado à Maçonaria. Questões sensíveis, como as bizarrices que envolvem a Skull & Bones e as coisas “esquisitas” que relatam sobre a vida na Côrte da Rainha Elizabeth II da Grã-Bretanha, deixarei para outras oportunidades. Vamos lá?

Polêmicas

Quem frequenta os vídeos recomendados do Youtube, pode já ter se deparado com depoimentos de “ex-maçons” (quase sempre de grau 33º) que alegam ter visto iniciados naquele grau receberem transfusão de sangue de um bode (literalmente). Ora, nossas mentes tendem a fantasias, mas crer que alguém receberia sangue de bode e continuaria vivo soa a piada. Pois é, eu cheguei a cogitar a citada possibilidade. :-/

Dizem que os maçons são pressionados a renegarem Cristo e adorarem o diabo (ou similar). Ora, não faltam materiais na internet, de conteúdo maçônico, que explicitam a origem cristã da atual estrutura maçônica. Como um iniciado, sendo estimulado a praticar a virtude, pensar racionalmente e a repetir Salmos, poderia, no último grau, aceitar renegar tudo aquilo que ele professou e entregar-se a um culto blasfemo e imundo?

Que há cultos, sistemas iniciáticos e associações trevosas no Mundo, todos sabemos. Mas, generalizar e dizer que a Maçonaria, em sua essência, é trevosa, foi, é e continuaria a ser uma tremenda inverdade. Assim como há cristãos bons e outros maus; políticos honestos e outros (a maioria) infames; assim, também, não pode-se dizer que a Cristandade e a Política sejam, em essência, ruins. Temos, sim, cristãos, maçons, políticos, macumbeiros, muçulmanos e demais seres humanos, bons e ruins.

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Nova Ordem Mundial

É quase palpável a sensação de que há uma movimentação, em níveis inalcançáveis ao vulgo, pela convergência dos países a um Governo Mundial. Entre as organizações que participam deste jogo, pode haver, acaso, grupos maçônicos? Sim, pode, como podem estar unidos a grupos ditos cristãos, muçulmanos, judeus ou, simplesmente, ateus endinheirados.

Mas, daí a generalizar e organizar uma caça a todos os maçons, judeus, muçulmanos, vai um inimaginável abismo de insanidade e fanatismo. No entanto, tenho de admitir: por muito tempo, vi em todos maçons uma súcia de infiltrados, falsos, ingênuos, ambiciosos e manipuladores que pretendia “conquistar o Mundo”. Em parte, segundo minha visão mais antiga, para vingar Jacques De Molay e sua Ordem do Templo; em parte, para acabar com a Igreja e instaurar a ditadura de um messias judeu (ou, como queiram, Anticristo).

Não, a Maçonaria não pode controlar o Mundo apenas porque alguns de seus membros podem estar entre os magnatas endinheirados. A Maçonaria não é monolítica. Ela é regida por alguns regulamentos pétreos, mas não é formada de um único bloco, mas de várias potências, obediências, ritos e rituais, muitas vezes antagônicos. O que une os maçons verdadeiros (ou seja, que não são profanos de avental) é a fraternidade e a noção de que todos os seres humanos devem tratar-se como irmãos, filhos de um mesmo Criador, águas da mesma Fonte.

Ainda que a vaidade e a ganância percorram seus templos e assentem-se em seus tronos, a Maçonaria encontrará, por sua essência primordial, meios para transmitir a Sabedoria atemporal a quem de direito, ainda que seja um apenas, esteja este onde estiver.

Realidade

A Maçonaria, ao manter a Tradição de iniciar os homens livres e de bons costumes, invariavelmente, reunirá mais pessoas com instrução e de boa condição financeira do que pessoas mais humildes, visto que os membros das lojas é que sustentam as mesmas, enquanto os mais humildes não têm condições de contribuir sem que isso ameace sua subsistência. Ademais, as agruras dos trabalhos mais braçais deixam ao ser humano pouco ânimo para os estudos mais profundos.

Portanto, pelo que li, é a vida irregular de muitos profanos que lhes interdita os convites e o ingresso na Maçonaria. Obviamente, como eu já disse, os quadros da Maçonaria demonstram estar, tanto quanto o clero católico e o rabinato judeu, entre outras classes, em franca decadência moral.

Assim, alguns líderes e padres, Mestres e Grão-Mestres, acabam por comprometer a imagem de suas fraternidades com suas ações indignas. Porém, a essência continua lá, sob a lama, como um diamante a ser descoberto. No entanto, podemos antever a Sabedoria retornando aos subterrâneos, ao segredo, ao fundo da terra. Enquanto isso, a era de Aquário inicia-se com sede de Liberdade, mas, também, com cheiro de revoluções, orgulho e alienação.

Maçonaria e Cristianismo

A Maçonaria é uma Tradição Iniciática cujas sementes remontam a tempos imemoriais e se declara ser dos primórdios da Humanidade. A Arte dos Construtores ensina a burilar a pedra bruta, destinada à construção tanto dos templos comuns dos homens, quanto do Templo interior de cada um. Cristo, para o maçom, é um Mestre que veio nos revelar o Caminho, a Verdade e a Vida. Ou seja, veio revelar-se e nos revelar o Pai, o Grande Arquiteto do Universo (G.’.A.’.D.’.U.’.). Afinal, ele disse: “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará” (João 8: 32).

Lembremos que a Arquitetura, o grau maior que remete ao Criador, nos lembra a palavra grega tékton (carpínteiro, construtor). Ora, não era Jesus, e seu suposto pai terreno, um carpinteiro? Sim, toda a mística dos Templários, além de seus segredos e sua ciência alquímica (herdados do Islã, dos gnósticos e dos judeus), remetem à Tradição Cristã mais pura e esotérica.

Portanto, antes de nos declararmos pessoas de bem, ajamos como tais, olhando para cada pessoa e situação com lucidez, mas também com Fé. Estamos, todos, no mesmo barco e precisamos uns dos outros. Somos todos aprendizes, para sempre. Quem sabe, sejamos, um dia, também Aprendizes Franco-maçons.

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