Medo e covardia

Intuo que as raízes de toda a tragédia humana, sem situarmos, precisamente, a origem (espiritual ou biológica) de nossa espécie, jazem fundas na masmorra daquilo que chamamos medo . E o medo é alimentado pela ignorância.

Acaso, seríamos mais felizes se conhecêssemos as causas de todas as coisas que ignoramos? Certamente que não, pois a felicidade é tão passageira quanto a subsistência dos homens e demais elementos naturais.

No medo, internos que somos desta Caverna em que nos meteram (os deuses), sonhamos e fantasiamos para que nossas Mentes não entrem em parafuso e possamos sobreviver a esse drama que é a vida humana.

No medo, sabemos que estamos sós, irremediavelmente sós. E é essa angústia de que, enjaulados em nossos corpos, entramos nus neste Mundo e dele sairemos despojados.

Acaso, somos livres? Que é a Liberdade, senão uma quimera igualmente fantástica?

Oh, doce liberdade essa de tagarelar pelo ventre e pensar com o umbigo! Oh, quão doce é essa ilusão caleidoscópica, que nos proporcionam os mares e seus refluxos, os bosques e seu anestésico frescor, os campos e sua vastidão hipnótica!

Não nos espantemos, pois, com a estupidez própria do Gado profano, do qual ainda somos dóceis membros! Não invejemos os tais Adeptos, que tão altaneiros sobrevoam por sobre os pântanos dos vícios dos povos ignorantes! Pois que a foice colhe a todos, ricos e pobres, iluminados e viciados.

As jaulas corporais, nossos habitáculos de dor e ânsias, tais quais máquinas biodegradáveis e frágeis, servirão de pasto e de nada mais.

Enquanto isso não acontece, lembremos que, para além das ilusões da covardia travestida de renúncia, o verdadeiro herói humano doa-se para que seu legado permaneça na memória da Natureza da qual hauriu seu alimento e abrigo, não dos humanos, sonambúlicos e emocionalmente envenenados.

Como cantavam os Guns N’ Roses:
And in the end, we are just dust n’ bones‘.

Deixe uma resposta: