Por meus dedos

Dedico minhas penas, palavras e dedos pequenos, à genialidade de Paulo Mendes Campos, um mineiro cujas crônicas me encantaram desde a mais tenra infância. Agora, infância nem mais tenra, nem mais iludida.

Volto, então, às memórias dos livros da Biblioteca do Colégio, nos quais eu bebia, sofregamente, da sensibilidade destes que, na esperança de fazer despertar noutros a sensibilidade obliterada, deixavam-se cair em folhas amareladas do outono da Vida.

Fosse a imaginar o drama do Cego de Ipanema, me rindo com a Fábula Eleitoral para Crianças e Receita de Domingo, ou me emocionando com a profundidade inigualável e filosófica do Folclore de Deus, a exposição de ideias daquele que chamam hoje de Ebrael, esse anônimo sem causa definida, só seria possível graças a um dos mineiros mais sensíveis que o Rio de Janeiro já acolhera.

Devo a Paulo Mendes Campos e a Milan Kundera (e sua Insustentável Leveza do Ser) as primeiras letras e inspirações da adolescência, impossíveis de apagar, de um tempo de ouro em que a dor da perda era pela perda de tempo ou de doces.

Com admiração,

Ebrael.


“Aquilo que tens à mão é o que te prende; aquilo que possuis é o que te priva. Bebe a água sem bebê-la. Vai a toda parte sem ir à parte alguma.”

(Paulo Mendes Campos, in “Folclore de Deus”).

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