Meu último leito

Não nos damos conta, mas morremos, de certa forma, ao fim de todas as noites. Vinte e quatro horas de um ciclo que parece, por vezes, não ter fim. Cansamos do dia, cansamos da vida que levamos. A vida pesa; corpo e mente sofrem. A Natureza vem e nos concede um recover para os membros, para os olhos. Dormimos. Milhões de vidas celulares repousam, alguns para acordar no dia seguintes e outros para dar lugar às novas vidas.

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Os olhos governados pela Vontade

Quando queremos algo, verdadeiramente, queremos com fogo nos olhos!

A pessoa que quer algo, que é alguém de querer-querer, faz cara de mal para afugentar os maus espíritos, cara de quem exige respeito e ameaça o Destino que tenta nos impedir de prosseguir. Quem quer algo, arromba a porta, depois é que pergunta de quem é a casa. Não pede licença, senta e pede almoço. Levanta e prepara o jantar. Espanta os ratos e baratas com seus passos e faz recuar o Cão raivoso com seu grito viril.

Os olhos daquele que deseja algo são como brasas vivas. Suas lágrimas não apagam as chamas, mas atiçam-nas ainda mais. Suas veias pulsam no ritmo estranho que a Vida nos impõe ao nos perpassar os nervos, senão fortes, mas ainda conectados ao Destino. Sim, o Destino é uma estrada ameaçadora, própria daqueles que têm vontade de correr. Andar é para quem tem tempo. Nós, os desejosos, não temos tempo a perder, sendo gigantes valentes ou pequenas borboletas.

Algumas pessoas confundem ser amigo do Destino com ser-lhe escravo. Não devemos ser, sob qualquer circunstância, escravos indolentes das contingências. Fazemos ajustes, nos acomodamos às contingências, e seguimos. Mas, lembremos: somos nós que estamos no leme. Deus é nosso Farol, não o Timoneiro. Ele nos orienta, mas não faz nosso trabalho. Não sejamos escravos nem permaneçamos à deriva para sempre. Sejamos nós os amigos de Deus, não seus soldadinhos de chumbo.

Mars et La Petite.

(Os créditos vão para La Petite Muse Flamboyante, que me visita sempre quando estou em situações críticas.)

A Morte não carrega seus ídolos

Como eu me acostumei a reunir os recortes de coisas que deixo espalhadas por aí, resolvi colar mais esse no mural onde me junto às pessoas pelas quais nutro mais do que simples estima, mas Amizade, e genuína.

Ontem, ainda, me peguei identificado com Valéria, a qual como que conseguia visualizar surfando lágrimas de mercúrio (aquelas que pesam mais do que o impossível), ao descrever sua dor de Morte. Aliás, sobre a Morte:

“Hoje penso que a morte é o maior aprendizado que tenho. É ver de perto as miudezas que me deixam com jeito arrogante, as impaciências que me distanciam da essência, dos dias que nem me perfumo, das risadas que não dou, sempre quando levo as coisas a sério demais.”

Então, eu lhe respondi:

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Onde está a raiz da Alma brasileira?

Não obstante — comparável a qualquer organismo formado por partes diversas —, a alma de uma nação seja multifacetada e incrementada por múltiplas camadas e ondas humanas ao longo do tempo, podemos pressentir, residente lá no fundo de sua história, um núcleo (core, em inglês), uma semente viva a qual unge todas as almas de seus filhos, nativos ou adotados. Esta sublime presença perpassa todos aqueles que pisam no sagrado solo da nação. Andando nós sobre seus rios, bebendo diariamente de suas águas, sendo acordados por seus galos ou tiroteios, podemos, inclusive, ouvir esse estranho canto e sentir esse aroma peculiar.

Como pode-se constatar acima, é um sentimento difícil de descrever. Não pelo fato de essa terra de Santa Cruz ser de porte continental, não por isso. Também não é pelo contraste cultural que já se estende por 500 anos, o que diante da Europa representa apenas como que uma paixão de adolescentes. Talvez seja porque , pela exuberância de um ambiente natural onipotente, pródigo em Vida e de forte conteúdo bucólico, sejamos atraídos de volta àquele vigor da juventude do qual beberam todas as civilizações em seus períodos de aurora.

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