Em busca da Alma do Morro

Num tempo em que a mídia politicamente correta se apropria da favela para chamar-lhe de comunidade e tentar ganhar a simpatia de sua gente sempre desconfiada, ainda me lembro de quando aprendi que favela era só favela. Favela sim, aquele tipo de agrupamento apertado de casebres de madeira que começaram a proliferar no Rio de Janeiro logo após a Guerra do Paraguai, no séc. XIX, quando muitos dos negros sobreviventes, heróis, foram alforriados, mas não tinham recebido as terras prometidas pelos maiorais. Foi aí que, não tendo onde morar, eles subiram os morros do Rio e lá se instalaram de forma precária. Com a abolição da Escravatura, o modelo foi “copiado” por todos os negros e pobres do Brasil, em todas as suas grandes villas (cidades).

Não pretendo, aqui, escrever um extenso artigo sobre a alma da favela ou dos morros habitados deste país, tarefa essa para acadêmicos. Isto é preciso, sim, que se diga. Mas, não posso me furtar a fazer apontamentos, tomando por base minha própria experiência vivida nesses lugares. Por dois anos vivi em uma favela, no alto de um morro. Longas e intermináveis escadarias, grandes lições. Vamos lá?

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